Didaticamente,
convencionou-se determinar como marco inicial do Humanismo a nomeação de Fernão
Lopes como guarda-mor da Torre do Tombo, em 1418. Seu fim ocorreu em 1527,
quando Francisco de Sá de Miranda retorna a Portugal, após seis anos na Itália,
e inicia o renascimento em Portugal.
O humanismo foi
uma época de transição entre a idade media e o renascimento. Como o próprio
nome já diz, o ser humano passou a ser valorizado. Foi nessa época que surgiu
uma nova classe social: a burguesia. Os burgueses não eram nem servos nem
comerciantes com o aparecimento dessa nova classe social foram aparecendo às
cidades e muitos homens que moravam no campo se mudaram para morar nessas
cidades, como conseqüência o regime feudal de servidão desapareceu: foram
criadas novas leis e o poder parou daqueles que, apesar de não serem nobres,
eram ricos. O status econômico passou a ser muito valorizado, muito mais do que
o titulo de nobreza. As grandes navegações trouxeram ao homem confiança de sua
capacidade e vontade de conhecer e descobrir varias coisas. A religião começou
a decair, mas não desapareceu e o teocentrismo deu lugar ao antropocentrimo, ou
seja, o homem passou a ser centro de tudo e não mais deus. Os artistas
começaram a dar mais valor às emoções humanas. E bom ressaltar que essas
mudanças não ocorreram do dia para a noite. O
humanismo foi o elemento que melhor caracterizou o Renascimento. Que ficou
marcado por um período de transição e de grandes transformações em Portugal e
no mundo
O humanismo italiano:
Durante o renascimento aconteceu uma
revolução intelectual, na qual pode ser definida pelo termo Humanismo. Os
humanistas eram formados pelos eclesiásticos e professores universitários
burgueses, que recebiam a proteção dos ricos e dos príncipes.
As características marcantes dos humanistas eram:
O pensamento individualista, as preocupações espirituais, o universalismo cultural, e o refinamento
intelectual.
Seus interesses estavam direcionados à Antiguidade Clássica, e
rejeitavam a cultura gótica medieval. Com o surgimento da imprensa, o
desenvolvimento intelectual deu uma arrancada neste período, a leitura
tornou-se acessível para as pessoas, e com isso os conhecimentos e as idéias
eram mais divulgados.
Humanismo francês: O
rei Francisco I criou o Colégio
da França em 1529, garantindo
a dignidade do humanismo
entre os franceses, para compensar a oposição da Universidade de Paris
que resistia a liberdade intelectual dos humanistas.
A maior expressão da poesia renascentista francesa veio com Ronsard. Rabelais,
autor de Gargantua e Pantegruel, e Montaigne, escritor
de Ensaios, foram
destaques na prosa.
3.1
Origem da palavra Humanismo:
A palavra humanismo em sua concepção é humano=
ismo, o humano se refere literalmente a essência, o humano seria aquele que é
conhecido como o Homo Sapiens que do latim se compreende como “homem sábio”. O
ismo de acordo com o dicionário é um sufixo grego que indica origem, crença,
sistema, conformação, ou seja, palavras com a terminação ismo indicam que uma
ideologia é seguida, que existe algo consolidado como regra. Em fim, a
definição da palavra de modo geral seria a doutrina dos humanistas do
renascimento
3.2Principais
movimentações do humanismo:
Prosa Historiográfica:
Fernão Lopes era considerado o cronista do
rei e do povo. Sua nomeação como cronista-mor do reino em 1434 é considerada o
marco inicial do Humanismo em Portugal. Fernão
tinha a função de registrar os fatos e escreveu três crônicas: Crônica de
El-Rei D. Fernando, Crônica de El-Rei D. João e Crônica de El-Rei D.Pedro I.
Poesia palaciana: Composições
coletivas que eram produzidas com a finalidade ser apresentadas
para a corte nos serões do Paço Real. D. Afonso V era conhecido como “O
Humanista” e produzia uma série de serões, concursos poéticos, audição de
música e recitação de poesia. Essas poesias se diferenciavam das cantigas
de trovadores porque nelas a música era separada da letra e o amor era menos
idealizado, mais real.
Teatro de Gil Vicente:
Como
conseqüência da crise da Igreja as peças de teatro perdem o
caráter necessariamente religioso e passaram a ser apresentadas também no Paço
Real. Começaram a abordar temas mais variados e a atividade teatral se tornou
mais intensa. Embora
tenha se mostrado menos teocêntrico em determinados momentos, Gil Vicente não
escondia a formação medieval. Suas críticas eram todas voltadas aos indivíduos
e nunca as instituições. Suas obras sempre vinham carregadas de alegorias e se
dividiam basicamente em três tipos: Autos pastoris ou Éclogas, Autos de
moralidade e Farsas. Suas principais peças foram Auto da Barca do Inferno, A
Farsa de Inês Pereira, O Juiz da Beira e Auto da Índia.
As
encenações profanas:
As encenações teatrais desenvolvidas na Idade Média que estavam fora
do tempo religioso recebiam o nome de Profanas, eram tidos como mais populares
e que não tinham relações nenhuma com o catolicismo.
Alguns tipos de encenações: As Farsas: era o nome dado às
encenações satíricas populares, que tinha como “apoio” o aspecto cômico,
situações ridículas e absurdas, como erros e deformações caricaturescas. Todas
as farsas são mais dependentes da ação e dos aspectos externos, do que de todos
os diálogos e conflitos dramáticos.
As soties: a palavra sotie em Francês quer dizer tolo, elas
são consideradas representações jocosas, parecidas com as farsas, porém com uma
intenção critica, englobando tanto os protagonistas parvos, como os tolos.
Os momos: eram representações mascaradas de pessoas e animais,
que usavam além da fala, a mímica.
Os entremezes: eram breves encenações que serviam para serem
“passadas” no Intervalo de outra peça, continuou até o século XIX e começou a
ser comum até o teatro do Romantismo.
Os sermões burlescos: era um monólogo (dizer de si para si)
que era recitado pelos jograis mascarados, que vestiam tanto roupas
sacerdotais, como algumas farsas a respeito das farsas das histórias de
clérigos e Freitas, realizando imitações jocosas de ações religiosas, como por
exemplo, ladainhas e sermões.
Os autos pastoris ou éclogas: eram conversas entre pastores
que tinham um único sentimento terno e o um objetivo que era de voltar para
suas origens.
3.3Principais
autores:
Fernão Lopes: O mais importante prosador medieval
português era de família humilde, e não se conhecem as datas de seu nascimento
e morte, ele viveu por volta de 1380 a 1460.
Apesar de
exercer atividades de cronista desde muitos anos, só em 1434 ele foi
oficialmente encarregado pelo rei Dom Duarte de “por em crônica as historias
dos reis que antigamente foram em Portugal”.
É inegável seu
espírito de objetividade e justiça na analise de documentos históricos que ele,
como guarda-mor dos arquivos do Estado, podia consultar. Muito cauteloso ao
confrontar textos, ao interpretar episódios, ao apreciar fatos, Fernão Lopes
nos deixou uma lição de ponderação diante da Historia que até hoje continua
valida. Para ele historia de um povo não era
constituída apenas pelas façanhas dos reis e cavaleiros, mas também por movimentos
populares e forças econômicas. Procurando reconstituir todo o clima das épocas
tratadas, descreveu não só o ambiente das cortes, mas também as aldeias, as
rebeliões das ruas ao lado dos combates dos exércitos, o sofrimento das cidades
sitiadas, as alegrias das vitorias, as festas e as dores. O seu interesse pelo
lado humano dos fatos que determinam a historia é evidente, não poupando
inclusive criticas a reis e nobres.
De modo geral destacam-se na sua prosa: a grande habilidade na
estruturação de cenas e na descrição de movimentos de massa, uso adequado de
diálogos que transmitem vivacidade a narrativa, interesse na análise
psicológica das personagens enfocadas, linguagem bem trabalhada e pessoal, onde
não são raros os termos populares. Alem disso, suas crônicas assumem um tom
épico, pois ele se une ao povo português oprimido ao narrar suas lutas,
sacrifícios e vitorias. Mesmo tratando dos reis é o povo português que se
destaca, na luta contra a opressão dos senhores feudais ou contra os
castelhanos em defesa de sua autonomia. Todas essas características, tanto
historiográficas como artísticas, fazem de Fernão Lopes uma figura destacada na
literatura portuguesa e seguramente melhor prosador medieval.
Obras: Existem três obras que incontestavelmente
pertencem a Fernão Lopes. São elas: Crônica Del Rei Dom Pedro, Crônica Del Rei
Dom Fernando e a Crônica Del Rei Dom João. Esta ultima crônica esta dividida em
duas partes, a primeira relata os acontecimentos ocorridos desde a morte de Dom
Fernando até a aclamação de Dom João Mestre de Alves como rei de Portugal, e a
segunda relata os acontecimentos a partir deste momento, ate a consagração da
paz com o reino de Castela.
Gil Vicente:
A biografia de Gil Vicente continua um mistério em muitos aspectos. Não
há provas definidas que possam estabelecer com segurança sua identidade.
Calcula-se que tenha nascido por volta de1465.
Sua carreira teatral começou de forma
inusitada, com o nascimento do filho de dom Manoel e de dona Maria de Castela,
em 1502, ele entrou nos aposentos reais e diante da corte surpresa, declarou um
monologo que havia escrito em castelhano, a semelhança de Juan Del encina, o
monologo do vaqueiro, em que um simples homem do campo expressa sua alegria
pelo nascimento do herdeiro, desejando-lhe felicidades. a interpretação
entusiasmou a corte, que lhe pediu a repetição na passagem do natal. Gil
Vicente atendeu aos apelos, mas compôs outro texto, o Auto pastoril Castelhano,
que também fez sucesso. Tinha inicio assim uma brilhante carreira, que se
estendia por mais de trinta anos. Sua ultima peça foi de 1536, e depois dessa
data não há mais noticias suas. Preparava uma edição da obra quando faleceu.
Luis Vicente, seu filho, publicou em 1562 a Copilavam de todas as peças de Gil
Vicente, que deixava muito a desejar por ser incompleta e pelas alterações em
vários textos.
Sua participação na vida da
corte foi intenção e variada, tendo inclusive recebido prêmios de Dom João III.
Varias peças suas circulam em forma de cordel e, algumas foram proibidas, pelo estabelecimento
da inquisição em Portugal. Desta forma, pouco se conhece de concreto sobre a
vida de Gil Vicente, mas as numerosas peças que nos restam bastam avaliar o talento
indiscutível.
Obras: O Auto da Barca do Inferno é
uma complexa alegoria dramática, representada pela primeira vez em 1517. É a
primeira parte da chamada trilogia das barcas, sendo a segunda o Auto da Barca
do Purgatório e a terceira o Auto da Barca da Gloria. Diz-se “Barca do
Inferno”, porque quase todos os candidatos as duas barcas em cena, seguem na
primeira, de fato, contudo ela é muito mais o julgamento das almas. Os
especialistas classificam-na como moralidade, mesmo que muitas vezes se
aproxime de farsa. Ela proporciona uma amostra do que era a sociedade lisboeta
das décadas iniciais do século XVI, embora alguns dos assuntos sejam
pertinentes na atualidade.
Referencias:
BRASIL ESCOLA. História, humanismo. Disponível em:
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