quarta-feira, 19 de junho de 2013

Humanismo

O Humanismo fundamentou filosoficamente o movimento renascentista europeu
Didaticamente, convencionou-se determinar como marco inicial do Humanismo a nomeação de Fernão Lopes como guarda-mor da Torre do Tombo, em 1418. Seu fim ocorreu em 1527, quando Francisco de Sá de Miranda retorna a Portugal, após seis anos na Itália, e inicia o renascimento em Portugal.                                                                                                            
O humanismo foi uma época de transição entre a idade media e o renascimento. Como o próprio nome já diz, o ser humano passou a ser valorizado. Foi nessa época que surgiu uma nova classe social: a burguesia. Os burgueses não eram nem servos nem comerciantes com o aparecimento dessa nova classe social foram aparecendo às cidades e muitos homens que moravam no campo se mudaram para morar nessas cidades, como conseqüência o regime feudal de servidão desapareceu: foram criadas novas leis e o poder parou daqueles que, apesar de não serem nobres, eram ricos. O status econômico passou a ser muito valorizado, muito mais do que o titulo de nobreza. As grandes navegações trouxeram ao homem confiança de sua capacidade e vontade de conhecer e descobrir varias coisas. A religião começou a decair, mas não desapareceu e o teocentrismo deu lugar ao antropocentrimo, ou seja, o homem passou a ser centro de tudo e não mais deus. Os artistas começaram a dar mais valor às emoções humanas. E bom ressaltar que essas mudanças não ocorreram do dia para a noite. O humanismo foi o elemento que melhor caracterizou o Renascimento. Que ficou marcado por um período de transição e de grandes transformações em Portugal e no mundo
O humanismo italiano:                                                                                                                     Durante o renascimento aconteceu uma revolução intelectual, na qual pode ser definida pelo termo Humanismo. Os humanistas eram formados pelos eclesiásticos e professores universitários burgueses, que recebiam a proteção dos ricos e dos príncipes. 
As características marcantes dos humanistas eram: 
O pensamento individualista, as preocupações espirituais, o universalismo cultural, e o refinamento intelectual.                                                                                                                           
  Seus interesses estavam direcionados à Antiguidade Clássica, e rejeitavam a cultura gótica medieval. Com o surgimento da imprensa, o desenvolvimento intelectual deu uma arrancada neste período, a leitura tornou-se acessível para as pessoas, e com isso os conhecimentos e as idéias eram mais divulgados. 
Humanismo francês:                                                                                                                          O rei Francisco I criou o Colégio da França em 1529, garantindo a dignidade do humanismo                   entre os franceses, para compensar a oposição da Universidade de Paris que resistia a liberdade intelectual dos humanistas.                                                                                              A maior expressão da poesia renascentista francesa veio com Ronsard. Rabelais, autor de Gargantua e Pantegruel, e Montaigne, escritor de Ensaios, foram destaques na prosa.
3.1 Origem da palavra Humanismo:    
    A palavra humanismo em sua concepção é humano= ismo, o humano se refere literalmente a essência, o humano seria aquele que é conhecido como o Homo Sapiens que do latim se compreende como “homem sábio”. O ismo de acordo com o dicionário é um sufixo grego que indica origem, crença, sistema, conformação, ou seja, palavras com a terminação ismo indicam que uma ideologia é seguida, que existe algo consolidado como regra. Em fim, a definição da palavra de modo geral seria a doutrina dos humanistas do renascimento
3.2Principais movimentações do humanismo:                                   
Prosa Historiográfica:                                                                                                                                               Fernão Lopes era considerado o cronista do rei e do povo. Sua nomeação como cronista-mor do reino em 1434 é considerada o marco inicial do Humanismo em Portugal. Fernão tinha a função de registrar os fatos e escreveu três crônicas: Crônica de El-Rei D. Fernando, Crônica de El-Rei D. João e Crônica de El-Rei D.Pedro I.
Poesia palaciana:                                                                                                                 Composições coletivas que eram produzidas com a finalidade ser apresentadas para a corte nos serões do Paço Real. D. Afonso V era conhecido como “O Humanista” e produzia uma série de serões, concursos poéticos, audição de música e recitação de poesia. Essas poesias se diferenciavam das cantigas de trovadores porque nelas a música era separada da letra e o amor era menos idealizado, mais real.
Teatro de Gil Vicente:                                                                                                                                         Como conseqüência da crise da Igreja as peças de teatro perdem o caráter necessariamente religioso e passaram a ser apresentadas também no Paço Real. Começaram a abordar temas mais variados e a atividade teatral se tornou mais intensa.                                                                                   Embora tenha se mostrado menos teocêntrico em determinados momentos, Gil Vicente não escondia a formação medieval. Suas críticas eram todas voltadas aos indivíduos e nunca as instituições. Suas obras sempre vinham carregadas de alegorias e se dividiam basicamente em três tipos: Autos pastoris ou Éclogas, Autos de moralidade e Farsas. Suas principais peças foram Auto da Barca do Inferno, A Farsa de Inês Pereira, O Juiz da Beira e Auto da Índia.
As encenações profanas:                                                                                                                As encenações teatrais desenvolvidas na Idade Média que estavam fora do tempo religioso recebiam o nome de Profanas, eram tidos como mais populares e que não tinham relações nenhuma com o catolicismo.
Alguns tipos de encenações:                                                                                                             As Farsas: era o nome dado às encenações satíricas populares, que tinha como “apoio” o aspecto cômico, situações ridículas e absurdas, como erros e deformações caricaturescas. Todas as farsas são mais dependentes da ação e dos aspectos externos, do que de todos os diálogos e conflitos dramáticos.
As soties: a palavra sotie em Francês quer dizer tolo, elas são consideradas representações jocosas, parecidas com as farsas, porém com uma intenção critica, englobando tanto os protagonistas parvos, como os tolos.
Os momos: eram representações mascaradas de pessoas e animais, que usavam além da fala, a mímica.
Os entremezes: eram breves encenações que serviam para serem “passadas” no Intervalo de outra peça, continuou até o século XIX e começou a ser comum até o teatro do Romantismo.
Os sermões burlescos: era um monólogo (dizer de si para si) que era recitado pelos jograis mascarados, que vestiam tanto roupas sacerdotais, como algumas farsas a respeito das farsas das histórias de clérigos e Freitas, realizando imitações jocosas de ações religiosas, como por exemplo, ladainhas e sermões.
Os autos pastoris ou éclogas: eram conversas entre pastores que tinham um único sentimento terno e o um objetivo que era de voltar para suas origens. 
3.3Principais autores:
Fernão Lopes:                                                                                                                                        O mais importante prosador medieval português era de família humilde, e não se conhecem as datas de seu nascimento e morte, ele viveu por volta de 1380 a 1460.                                      
  Apesar de exercer atividades de cronista desde muitos anos, só em 1434 ele foi oficialmente encarregado pelo rei Dom Duarte de “por em crônica as historias dos reis que antigamente foram em Portugal”.                                                                                                                                
  É inegável seu espírito de objetividade e justiça na analise de documentos históricos que ele, como guarda-mor dos arquivos do Estado, podia consultar. Muito cauteloso ao confrontar textos, ao interpretar episódios, ao apreciar fatos, Fernão Lopes nos deixou uma lição de ponderação diante da Historia que até hoje continua valida. Para ele historia de um povo não era constituída apenas pelas façanhas dos reis e cavaleiros, mas também por movimentos populares e forças econômicas. Procurando reconstituir todo o clima das épocas tratadas, descreveu não só o ambiente das cortes, mas também as aldeias, as rebeliões das ruas ao lado dos combates dos exércitos, o sofrimento das cidades sitiadas, as alegrias das vitorias, as festas e as dores. O seu interesse pelo lado humano dos fatos que determinam a historia é evidente, não poupando inclusive criticas a reis e nobres.
  De modo geral destacam-se na sua prosa: a grande habilidade na estruturação de cenas e na descrição de movimentos de massa, uso adequado de diálogos que transmitem vivacidade a narrativa, interesse na análise psicológica das personagens enfocadas, linguagem bem trabalhada e pessoal, onde não são raros os termos populares. Alem disso, suas crônicas assumem um tom épico, pois ele se une ao povo português oprimido ao narrar suas lutas, sacrifícios e vitorias. Mesmo tratando dos reis é o povo português que se destaca, na luta contra a opressão dos senhores feudais ou contra os castelhanos em defesa de sua autonomia. Todas essas características, tanto historiográficas como artísticas, fazem de Fernão Lopes uma figura destacada na literatura portuguesa e seguramente melhor prosador medieval.
Obras: Existem três obras que incontestavelmente pertencem a Fernão Lopes. São elas: Crônica Del Rei Dom Pedro, Crônica Del Rei Dom Fernando e a Crônica Del Rei Dom João. Esta ultima crônica esta dividida em duas partes, a primeira relata os acontecimentos ocorridos desde a morte de Dom Fernando até a aclamação de Dom João Mestre de Alves como rei de Portugal, e a segunda relata os acontecimentos a partir deste momento, ate a consagração da paz com o reino de Castela.
Gil Vicente:    
  A biografia de Gil Vicente continua um mistério em muitos aspectos. Não há provas definidas que possam estabelecer com segurança sua identidade. Calcula-se que tenha nascido por volta de1465.                                                                                                                                                
  Sua carreira teatral começou de forma inusitada, com o nascimento do filho de dom Manoel e de dona Maria de Castela, em 1502, ele entrou nos aposentos reais e diante da corte surpresa, declarou um monologo que havia escrito em castelhano, a semelhança de Juan Del encina, o monologo do vaqueiro, em que um simples homem do campo expressa sua alegria pelo nascimento do herdeiro, desejando-lhe felicidades. a interpretação entusiasmou a corte, que lhe pediu a repetição na passagem do natal. Gil Vicente atendeu aos apelos, mas compôs outro texto, o Auto pastoril Castelhano, que também fez sucesso. Tinha inicio assim uma brilhante carreira, que se estendia por mais de trinta anos. Sua ultima peça foi de 1536, e depois dessa data não há mais noticias suas. Preparava uma edição da obra quando faleceu. Luis Vicente, seu filho, publicou em 1562 a Copilavam de todas as peças de Gil Vicente, que deixava muito a desejar por ser incompleta e pelas alterações em vários textos.                                                     Sua participação na vida da corte foi intenção e variada, tendo inclusive recebido prêmios de Dom João III. Varias peças suas circulam em forma de cordel e, algumas foram proibidas, pelo estabelecimento da inquisição em Portugal. Desta forma, pouco se conhece de concreto sobre a vida de Gil Vicente, mas as numerosas peças que nos restam bastam avaliar o talento indiscutível.

Obras: O Auto da Barca do Inferno é uma complexa alegoria dramática, representada pela primeira vez em 1517. É a primeira parte da chamada trilogia das barcas, sendo a segunda o Auto da Barca do Purgatório e a terceira o Auto da Barca da Gloria. Diz-se “Barca do Inferno”, porque quase todos os candidatos as duas barcas em cena, seguem na primeira, de fato, contudo ela é muito mais o julgamento das almas.                                                                Os especialistas classificam-na como moralidade, mesmo que muitas vezes se aproxime de farsa. Ela proporciona uma amostra do que era a sociedade lisboeta das décadas iniciais do século XVI, embora alguns dos assuntos sejam pertinentes na atualidade.
Referencias:
BRASIL ESCOLA. História, humanismo. Disponível em:

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